Entra ano, sai ano, e o mundo da decoração segue diferentes composições, em um universo de cores e possibilidades. No entanto, determinados elementos sempre estão em alta. De acordo com a Prof.ª M.ª Eliana Tancredi Zmyslowski, coordenadora do curso de pós-graduação em Design de Interiores da Estácio, não existe uma ou outra linha que deva ser seguida, tudo é valido nesta área. “Desde que haja o bom senso para equilibrar tamanhos, cores, estampas, enfim… Cada detalhe na composição de um ambiente”, completa.

Ela ainda reforça que muitas coisas são consideradas atemporais. “Uma peça-chave, por exemplo, é a cadeira Luis XV”.  Este é um estilo de decoração de interiores e mobiliário que se desenvolve a partir da França, durante o reinado de Luís XV, entre aproximadamente 1730 e 1760.

Então, o que é arquitetura de interiores? E como ela se difere de design de interiores e decoração de interiores?

Abaixo, tentaremos explicar os diferentes papéis e responsabilidades destes profissionais. As áreas ao mesmo tempo em que se aproximam, também podem diferir drasticamente.

ARQUITETURA DE INTERIORES

Estritamente falando, a arquitetura de interiores é um assunto e não uma profissão. É uma sub-área dos profissionais de arquitetura. A designação do termo “arquiteto” é protegida (como médico) e não pode ser usada por pessoas que não tenham as qualificações específicas. Ou seja, somente executa arquitetura de interiores quem tem a graduação superior em arquitetura e urbanismo.

Toda formação de arquiteto ocorre em nível superior e tem duração mínima de cinco anos. No curso são abordados temas como história da arte, história da arquitetura e do urbanismo, representação gráfica e informática. Além de resistência dos materiais, construção, planejamento urbano, projeto de edificações, conforto ambiental, paisagismo, arquitetura de interiores, entre outros.

O profissional graduado em arquitetura e urbanismo pode atuar em diversas áreas como: estudo e planejamento de projetos, execução de desenho técnico, elaboração de orçamento, padronização, mensuração e controle de qualidade, execução de obra e serviços técnicos. O trabalho arquitetônico começa já na escolha do terreno para a construção, ou seja, a implantação do projeto. Sendo assim, desde o ponto chave inicial já exige o trabalho do profissional de arquitetura.

Quanto à arquitetura de interiores, é requerido que os projetistas considerem praticamente tudo a ver com a construção de um espaço interno. Deste modo, tudo que afetará a habitação humana, incluindo materiais, acabamentos, requisitos elétricos, encanamento, iluminação, ventilação, ergonomia e uso inteligente do espaço.

Para dar um exemplo mais concreto, imaginemos um edifício que será redesenhado completamente em seu interior, e que apenas a “casca” original se manterá inalterada. Este tipo de projeto de renovação é um campo indubitável do arquiteto de interiores. O arquiteto se preocupará com toda a parte estrutural do edifício – é a arquitetura como técnica e como ciência.

DESIGN DE INTERIORES

Profissionais de design de interiores, por outro lado, tem tido cada vez mais contato com elementos técnicos e estruturais dos edifícios. Isto acontece, em parte, devido às mudanças na tecnologia de design (CAD), bem como mudanças nas grades dos cursos. Esta situação, no entanto, embaçou a linha entre arquitetura e design de interiores.

Um designer de interiores trabalha com o arranjo de ambientes.  Por isso, ele tem forte preocupação com a estética, a funcionalidade e o conforto do local projetado. O profissional, inclusive, define revestimentos, acabamentos, cores e distribuição de móveis e objetos. Além disso, o designer tem como tarefa escolher acessórios, objetos, móveis e demais itens que irão compor o ambiente, de forma harmoniosa e funcional. Para isso, é imprescindível que o profissional esteja atualizado e alinhado com as tendências do mercado para oferecer as melhores soluções de acordo com as necessidades dos clientes. O curso de Design de Interiores tem duração em média de três anos e é considerado tecnólogo.

Um designer de interiores precisa pensar o espaço coerentemente. É primordial, portanto, conhecimentos  em normas técnicas de ergonomia, acústica, térmico e luminotécnica além de ser um profissional capaz de captar as reais necessidades dos clientes e concretiza-las através de projetos específicos.

Outras funções consistem na reconstrução do espaço através da releitura do layout, da ampliação ou redução de espaços, dos efeitos cênicos e aplicações de tendências e novidades técnicas, além do desenvolvimento de peças exclusivas. Porém seu trabalho restringe-se a ambientes internos. E, por conta disso, o profissional habilitado para atuar em projetos de interiores, auxiliando o arquiteto a resolver os espaços da edificação de forma a atender melhor as necessidades do cliente, para complementar o fechamento da obra.

Já quando se trata de cores, e se há uma delas predominante no momento, caso da ultra violet anunciada pela Pantone em 2018, o segredo é apresentá-la de maneira estratégica. Eliana Tancredi afirma que é válido trazer essa cor repetindo-a nas cortinas, em almofadas, xales, ou seja, em acessórios que compõem os locais. “É importante não inserir o ultra violet em grandes superfícies horizontais e/ou verticais, já que o charme dela surge em detalhes”, comenta a professora.

Paredes e plantas: Criatividade é o caminho!

Outra curiosidade, segundo matéria divulgada na Revista Casa Vogue, gira em torno das paredes. As “cruas” estão oficialmente fora de opção! Em 2018, os profissionais do design têm apostado em ilustrações, figuras e quadros, que podem valorizar os cômodos da casa e, também, dar uma nova cara ao escritório e ao espaço de trabalho.

Objetos no estilo vintage, ou aqueles inusitados, que são reaproveitados, podem assumir novas funções.  E se por acaso a aposta for em mix de objetos metalizados, por exemplo, melhor ainda! A dica é tornar a decoração descolada.

No que se refere ao uso das plantas, elas podem aparecer com folhagens vibrantes e cores diferentes, para dar vida à sala de estar e à varanda. Um encanto, não é mesmo? Crie e dê o seu toque pessoal, com plantas que funcionam adequadamente em áreas mais iluminadas da casa.

DECORADOR DE INTERIORES

Um decorador de interiores está preocupado apenas com a estética do edifício, incluindo esquemas de cores, móveis e obras de arte. Eles estão envolvidos com o lado artístico do design e menos com a técnica. Os decoradores de interiores não se preocupam com o projeto estrutural do edifício. Desse modo,  não precisam ser tão informados sobre os regulamentos de construção.

Um decorador de interiores geralmente não precisará estar envolvido desde o início da construção e não precisará ter um conhecimento profundo dos elementos técnicos, como CAD e projeto estrutural. Eles devem, no entanto, ser muito artísticos e ter um olho fantástico para as tendências de design de interiores e detalhes estéticos.

Porém tanto arquitetos quanto designers de interiores, também estão aptos a trabalharem com decoração de interiores.

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